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A ERA DOS DES-RITUALIZADOS E O BATISMO COMO UM MARCO HISTÓRICO NA VIDA DA IGREJA.

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By Paulo Mazarem


Em um mundo onde cada vez mais os vínculos são frouxos e as relações e os relacionamentos se mostram cada vez mais desinteressados,  o descomprometimento e a irresponsabilidade são marcas que está geração expressa com muita intensidade ao evadir de qualquer forma de convênio ou aliança propositivados para a sua própria segurança. Hodiernamente, fala-se muito em união estável informal que a meu ver é um exemplo tipíco de relacionamento des-ritualizado, isto porque, existe uma grande dificuldade, inclusive dos próprios companheiros, de provar quando de fato a união estável teve início e se existia o objetivo de constituir uma família em sua gênese. O mesmo se aplica ao famoso “ficar”, que não se sabe na maioria das vezes, onde? Como começou?  Por quê terminou? Todavia, a igreja de Jesus Cristo é um organismo vivo (corpo mistíco) e organizacional (ordem) e como instituição sagrada, por sua vez é contra-cultural, colidindo em absoluto com os valores sociais deste século, c…

ORAI SEM CESSAR

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Não usem de vãs repetições disse Jesus, de mantras, de petições obcecadas, frenéticas, neuróticas, que tornam humanos em um deus em miniatura (complexo de messias) que oram para si mesmas, a exemplo de Inri Cristo que uma vez, chegou a afirmar: “Quando eu oro eu falo comigo mesmo”.

Infelizmente, muita gente faz da oração um solilóquio (conversa consigo mesmo).

Não façam dessa devocionalidade (oração) uma vivência egóica, personalista e chata que não passam de verborragias que nada tem haver com oração e que se dissolve apenas palavras que não tocam nem o seu nariz ao sair de sua boca, quanto mais os céus. (Lc 18. 9, 11,12, 14)
Não faça da oração um ídolo, oração é diálogo e não monologia, é confiança e não cobrança, nem exigência. É consciência serena, de intervenção despida de qualquer gestualidade grosseira, performática e acintosa.
Oração é entrega. (Sl 37. 5)
Portanto, orar sem cessar (1 Ts 5. 17) significa ser menos psíquico e mais congruente, menos aflitivo e mais esperançoso(a). …

ESCUTA?

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Num mundo onde todos querem falar, saber ouvir é um dom. Paulo Mazarem 


Podemos dizer que escutar o outro é uma atividade que demanda alteridade[1]. Uma vez que a escuta é quase rara em nossos dias, e onde podemos dizer que quase ninguém mais quer ouvir ninguém, por isso, saber ouvir é um dom.
Embora, as pessoas desconheçam a filosofia de Descartes, (o que não anula a sua existência, nem seu modus operandi) elas vivem sem saber dominadas por ela. Sem generalizações, o homem ocidental é um ser que combate outro ser, por considerar um ser que em nada é diferente dele em um não ser. E é exatamente nessa ontologia que sustentamos o Cogito Ergo Sum e abatemos todo modelo que não se encaixe a este paradigma. Uma vez que o penso, logo existo, oculta um Eu que pensa. Então a questão é quem é este ser pensante, de onde ele fala, como fala, e para quem fala. 
Daí, o por que de minha reflexão, por que esta filosofia reina em nossa sociedade e cultura, desconhecemos filosofias, que ainda são absorv…

QUEM SÃO OS BEM-AVENTURADOS?

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Todos nós aprendemos que os bem aventurados são os pobres de espirito, os que choram, os que tem sede de justiça, pacificadores, etc..  E por esta razão tratamos a lista das bem-aventuranças como uma lista de virtudes, porém o evangelho de Mateus cap. 5 não é uma lista de virtudes e sim de bem-aventuranças, certo? 

Então lhe pergunto, chorar é um virtude?  

Se chorar é uma virtude, então as carpideiras (que em algumas sociedades são) contratadas para chorar em enterros e em ritos fúnebres, são as mulheres mais virtuosas do mundo. Logo, chorar não é uma virtude. Devo dizer que também não há virtude na pobreza, na injustiça, por que injustiça é ausência de justiça, logo ausências não podem ser vistas como virtude, certo?
Portanto, Mateus 5 não é uma lista de virtudes. 

CONTEXTUALIZANDO


De acordo com o contexto Jesus está olhando para uma multidão de pessoas destituídas, abusadas e espoliadas, (que simplesmente foram)atropeladas pelo império romano. O Senhor confronta com sua pregação este si…

DESCLERICALIZADOS

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A desclericalização é um fenômeno pós-reforma e pró-iluminismo que desencantou (parcialmente) as sociedades cristãs daquela concepção sagrada de mundo, bem como do binarismos típico das tradições culturais ancestralizadas.
Se pensarmos o conceito a luz do termo "cronotopia" de Bakthin vamos situar este processo nos meados do séc. XVI com a reforma protestante e com a chegada daquilo que em Artes chamamos de movimento Barroco.
No entanto a problemática é até onde o Ocidente está desencantado? Quem são os secularizados da sociedade senão os ateus? Alguém pode presumir.


Se bem que "secularização" não é sinônimo de ateísmo, mas separação do laico do clerical. O que em tese significa dizer que o estado (brasileiro, por exemplo) não é anti-religioso, mas anticlerical, compreendem? Em suma, é fundamental sinalizar que o imprinting (Morin) cultural já está impregnado no DNA cívico-moral de todos os lugares onde o cristianismo se estabeleceu. O que nos leva a problematizar o fa…

O SIM-BÓLICO E O DIA-BÓLICO E AS EXCELÊNCIAS QUE ESCRAVIZAM

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Toda a nossa cultura, à deriva do iluminismo, exalta o homo sapiens, o homem inteligente e sábio. Essa é a imagem que projetamos para o mundo, porém não esqueçamos da distância entre imagem e identidade, entre o homo-sapiens e o homo-demens.

No sim-bólico como o próprio conceito grego symbállein evoca temos o sentido de lançar coisas de tal forma que elas permaneçam juntas. Logo, o simbólico significa re-unir as realidades, congregá-las a partir de diferentes pontos e fazer convergir diversas forças num único feixe, ao passo que o dia-bólico carrega o seu antônimo, onde literalmente ao invés de re-unir se divide, se lança coisas para longe, de forma desagregada e sem direção. Dia-bólico como se vê, é o oposto do sim-bólico. É tudo o que desconcerta, desune, separa e opõe.
É incrível como a vida humana está marcada pela dimensão sim-bólica e dia-bólica. Por que ao nível pessoal a vida é feita de amizades, de amores, de solidariedades, de uniões e de convergências. No entanto, ao mesmo t…

POR QUE OS DEMÔNIOS SÃO SEMPRE AFRICANOS OU INDÍGENAS?

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NEOPENTECOSTALIMO (ONDAS/NEO-PENTECOSTAIS) X RELIGIÕES AFRICANAS, AFRODESCENTES E INDÍGENAS


Afinal de contas, qual é a lógica ou véu que oculta a demonização alheia? Quais são as influências que recebemos no itinerário histórico brasileiro para a construção de nossa demonologia?

Para problematizar essas questões, vou me deter no movimento pentecostal de 2ª onda de Paul Freston ou também chamado “neopentecoslismo” como denomina, o sociólogo Ricardo Mariano. Para ser mais cirúrgico vou me ater a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) fundada pelo ex-umbandista, Bispo Edir Macedo que conseguiu ver aos 33 anos de idade, isto em 1977 um jeito novo de se viver a fé. Sabe-se que a IURD é a religião mais sincretizada[1] do Brasil. Isto por que consegue reunir em seu repertório teológico e ritualístico, elementos que residem no judaísmo, catolicismo, no pentecostalismo e no culto afro-brasileiro. 

ENTENDENDO A IURD


A IURD baseia-se na lógica do sacrífico e na teologia da prosperidade, traduzida …